Sem titulo...- capitulo 4

O episódio da fotografia mudou completamente meu modo de entender 
Seishirou , e vice-versa. Não tínhamos nenhum tipo de relação séria. Porém, 
em todo fim de tarde, quando meu colega de quarto chegava cansado do 
seu curso, nós tomávamos banho juntos, enquanto trocando carícias e 
prazeres. 
Naquela tarde de sexta-feira, uma hora após eu ter chegado na pensão, 
Seishirou  girou a chave naquele seu jeito gentil e adentrou nosso 
quarto. Eu, que lia uma adaptação teatral de Shakespeare recostado à cama, 
prontamente descansei o livro sobre o criado-mudo e fui recebê-lo. 
Seishirou  abriu um sorriso admirável, estava muito quente e suado, mas 
ainda com seu cheiro de homem. Fechei meus braços atrás de seu pescoço e 
beijei-lhe os lábios. O rapaz envolveu-me nos braços e logo iniciou a 
fazer-me o que quiser-se . 
Depois de despidos, nos acariciávamos e sentíamos um ao outro em 
movimentos selvagens. Tateando a parede do box enquanto o moço enorme e 
corpulento deslizava os lábios por todo meu pescoço, achei a torneira do 
chuveiro e girei-a, fazendo a água fria cair no dorso de Seishirou  e 
provocar-lhe um sorriso. Assim o fazíamos todo santo dia. 
No momento em que eu me encontrava debruçado na parede e Seishirou  
pressionava meus glúteos com a pélvis e estimulava meus mamilos com as 
mãos, senti sua boca aproximar-se de meu ouvido e ouvi as seguintes 
palavras: 
- Meu curso terminou hoje...Partirei amanhã cedo. 
Afastei-o no mesmo instante, me virei e segurei-o pelos cabelos para 
melhor fitar seus olhos. 
- Você vai me deixar? – Perguntei, com o tom de voz já rouco. 
- Sim. – Seishirou  respondeu com firmeza. 
Senti como se duas agulhas tivessem perfurar meu peito. Seishirou  não 
estaria lá no dia seguinte. E o que poderia fazer? Afinal, o homem 
estava em Kyoto pelo seu curso de fotógrafo. Nem ao menos poderia expressar 
dor àquela situação, já que não tínhamos nada concreto além de sexo. 
Simples sexo. Era como se a água que caía daquele chuveiro e levava a 
espuma do meu corpo para o ralo apenas me tornasse mais sujo por dentro. 
Os olhos de Seishirou observavam-me. Estávamos com os corpos adjacentes. 
A voz da minha consciência, então, disse-me para aproveitar aquele 
toque forte, aqueles lábios avermelhados, aquele peito confortante, aquela 
voz mansa mais do que nunca. Seishirou  arregalou os olhos quando eu 
(sem ter dito uma palavra sequer) fisguei sua boca outra vez e continuei 
o que estávamos fazendo antes da notícia. Se não poderia sentir aqueles 
braços e aquela boca outra vez, que no mínimo eu pudesse me lembrar 
exatamente como me sentir ao visitar minha memória meses, anos, décadas 
depois. 
... 
Quando acordei na manhã seguinte, já me encontrava só naquele quarto de 
pensão, apenas com uma presente dura dor de cabeça.

Fim.